Animações DC: Pós Novos 52

spm50A DC Comics tem a ampla tradição em animações de qualidade e icônicas como o Super-Homem dos irmãos Fleischer (anos 1950), os leves e divertidos Superamigos (anos 1980), os seriados Batman Animated Series (1992), Super-Homem (1996), a saudosa Liga da Justiça (2000) e o excelente Young Justice (2011).

Em especial, do final da década de 1970 até atualmente, sempre houve um desenho animado com os heróis da editora (atualmente, reprises da Liga e Jovens Titans no SBT) marcando presença em releituras constantes, e às vezes insistentes e cansativas, como é o caso do Batman.

Para o mercado de home vídeo, a DC tem larga vantagem em relação à Marvel pois lança periodicamente longas dos personagens, solidificando sua presença no imaginário dos fãs, em versões cada vez mais atualizadas e qualidade técnica sofisticada.

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Recentemente, houve um polêmico reboot da editora, que reconduziu os heróis e seu universo a um renascimento questionável, alterando profundamente diversas referências, denominado Os Novos 52 – referência ao retorno do Multiverso, onde existem 52 realidades diferentes, e em cada uma, os mesmos personagens existem porém de maneira que os escritores possam ‘viajar’ a vontade, afetando todos os selos da editora, inclusive obras como Sandman e Watchmen que tem possível conexão com os eventos da cronologia atual da DC.

A saga Flashpoint (Ponto de Ignição), início do reboot, se revelou um excepcional roteiro para o longa de mesmo nome, onde o Flash tenta alterar o passado para salvar sua mãe, mas acidentalmente condena toda linha temporal, e o mundo DC como se conhece deixa de existir. Ousado, criativo, muito bem produzido e violento na medida certa, mostra agora um planeta quase devastado pela guerra entre Atlantes e Amazonas, cujo conflito já havia destruído a Europa e pode chegar aos EUA. Neste mundo, não há um Super-Homem e o Batman é uma figura totalmente inesperada! É uma das mais corajosas e tecnicamente bem feitas obras de animação da DC.

No entanto, a onda de impacto dos Novos 52 e sua releitura simplória e juvenil dos personagens também produziu duas animações fracas:

Liga da Justiça – Guerra narra a história da formação do grupo, que precisou se estabelecer para combater a ameaça de Darkseid. A má influência dos quadrinhos resultou em um Batman absolutamente invencível e um Super-Homem acéfalo, insípido e coadjuvante a mero ‘peso-pesado’ e ‘grande arma do grupo’. A Mulher-Maravilha também sofreu alterações drásticas em sua aparência, mas mantém uma presença irrelevante, diferente do desenho da Liga Sem Limites. Existe uma dependência imensa do personagem Cyborg e suas capacidades tecnológicas. Os demais mal são dignos de nota e sim, eles agora matam os invasores alienígenas explicitamente.

Liga da Justiça – Trono de Atlântida é sequência direta de Guerra e conta a origem de Aquaman, personagem que foi ridicularizado por décadas mas que ganhou seriedade a partir do desenho da Liga e do trabalho do escritor Geoff Johns na HQ. Aqui, sua origem é mais fiel ao material original e o personagem é até carismático. Mas os efeitos negativos dos Novos 52 permanecem em um Lanterna Verde inútil que em nada parece o de suas animações solo, que apanha demais e não sabe usar o anel para absolutamente NADA! Temos também um Capitão Marvel (agora SHAZAM) de uniforme descaracterizado (o símbolo ficou ridículo, não que o original fosse grande coisa) e que jamais rivalizaria com o Super. Somente o Flash se mantém com sua participação discreta. Ainda assim, este longa é muito melhor que o anterior e vale uma espiada.

Resumindo, o efeito Novos 52 cortou uma linhagem que bem ou mal, lançava pelo menos um longa por ano com uma qualidade sempre no mínimo apreciável, mas que agora se torna questionável. Existe uma melhora de Guerra para Trono de Atlântida mas ainda assim as mudanças radicais nos personagens centrais – a Trindade – desagrada os leitores mais velhos. Provavelmente é porque realmente este material não é feito para eles. Agora, a cada anúncio de animação, antes nosso refúgio já que não temos os heróis no cinema, ficamos com um pé atrás.

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