As Tartarugas Ninja (2012) – 1ª Temporada

ImageCriadas em 1984 por Kevin Eastman e Peter Laird, as Tartarugas Ninja se tornaram uma verdadeira mania ao redor no mundo na segunda metade dos anos oitenta. Concebidas como uma sátira aos gibis de sucesso da época como Cerebus (Dave Sin) e Demolidor (Frank Miller), Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello foram treinados pelo rato Splinter nos mistérios do ninjutsu (a arte ninja), após serem atingidas por um isótopo radiativo que os transformaria de pequenos animais de aquário para seres antropomórficos adolescentes.

ImageCom o sucesso nos quadrinhos, as Tartarugas Ninja estampavam os mais variados itens de merchandising, além de uma enorme linha de bonecos, vídeo games, duas séries animadas, três filmes e uma série para a TV em live action, uma animação para o cinema e uma para o mercado de home vídeo. Sem falar nas infinitas versões para os quadrinhos, sua mídia de origem, pelas diversas editoras por onde passaram.

Porém, as tartarugas sempre ficaram mais à vontade na TV.

A primeira série animada baseada nos quadrinhos foi o desenho animado mais longevo da história, até que Os Simpsons batessem o seu recorde de dez anos no ar (1987-1996). Em 2003 as Tartarugas ganhariam uma nova série animada, mais fiel aos quadrinhos, um pouco mais séria, mas ainda focada no público infantil. Esta nova série teve apenas sete temporadas.

Longe das telinhas por apenas dois anos, as Tartarugas Ninja foram revitalizadas para o canal Nickelodeon em 2012. Desta vez a animação tradicional daria lugar à digital, com traços mais dinâmicos e caricatos. As primeiras imagens a pipocar pela internet deixavam os fãs mais tradicionais preocupados. Ledo engano.

Em 29 de Setembro de 2012, estreava nos EUA a nova série animada do quarteto mutante. Aquela que seria a melhor adaptação dos personagens para qualquer meio. Muito superior à animação original em enredo e humor, com uma ambientação muito melhor do que todos os filmes conseguiram e com personagens muito bem desenvolvidos. Um grande mérito para uma animação focada no público infantil, mas que conseguiu agradar ao público mais velho, familiarizado com os personagens através da animação clássica ou dos quadrinhos.

A nova versão se inicia com a primeira subida das tartarugas ao mundo acima dos esgotos onde vivem, logo após sua “formatura” como verdadeiros ninjas em um passeio no mundo superior liberado pelo mestre Splinter, desde que tomem cuidado para que não sejam vistas por aí. Obviamente isso não acontece e o quarteto acaba se envolvendo com seres alienígenas de outra dimensão – os Kraang -, gangues, ninjas e criaturas mutantes das mais variadas formas, além de acabarem por salvar a jovem April O’neil, que aqui deixa de ser uma repórter de sucesso para se tornar uma adolescente que tem seu pai sequestrado pelos Kraang.

Muito mais fiel à estrutura e ao visual dos quadrinhos dos anos 80 do que suas antecessoras, deixando de lado apenas um pouco da truculência das tartarugas originais, a série traz um novo fôlego aos personagens, inserindo pequenos novos elementos que enriquecem os personagens, que passam do bidimensional ao tridimensional não apenas no estilo da animação.

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Os Personagens

Leonardo, “o líder de azul” agora é fã de um seriado (retratado em 2D no estilo de animação da Hanna-Barbera dos anos 60) muito parecido com Star Trek, o “Space Heroes” e se inspira nas atitudes do destemido Capitão Ryan (muito mais canastrão que o Capitão Kirk), e possui uma atração pela ninja Karai, filha do temido Destruidor, além dos conflitos de personalidade com o explosivo Raphael.

Raphael continua a tartaruga mais impulsiva dos quatro e agora além das brigas constantes com Leonardo, pelo qual se sente preterido por seu “pai”, o mestre Splinter, possui um jaboti de estimação, Spike, mostrando um lado oculto que ele não deixa transparecer frente a quem o cerca.

Michelangelo continua o alívio cômico de sempre, muito bem-humorado e quase ingênuo. É dono de um raciocínio que só funciona a pleno vapor para dar nomes aos vilões. Sem dúvidas as melhores piadas do desenho envolvem Michelangelo. A minha tartaruga favorita desta nova versão.

Donatello ainda é o cérebro do grupo. Versado em eletrônica, física, biologia, mecânica e ciências em geral. O gênio nutre uma paixão platônica por April e faz de tudo para protege-la. Nada mais nerd que isso! Como curiosidade, Rob Paulsen, que dubla o personagem no original, fez a voz de Leonardo em 1987.

Splinter e Destruidor, apesar de se tratar de uma adaptação mais com o pé nos quadrinhos, ainda possuem a mesma origem da série clássica onde ambos eram humanos e o vilão trai o mestre ninja por inveja e ciúmes.

Splinter ganha mais profundidade nesta versão ao se omitir no combate final, deixando que as tartarugas partam para a batalha sozinhas e é questionado por April que o critica incisivamente. Tal atitude esconde a sua vergonha pelo que se tornou. O embate derradeiro entre os dois, quando Splinter finalmente abraça a sua nova forma é excelente! O passado de ambos ainda esconde uma reviravolta inesperada no último episódio.

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Booyakasha!!!

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Logo na metade de sua primeira temporada, a série foi indicada a três Annie Awards (direção de animação para TV, storyboarding em animação para TV e dublagem em animação para a TV para Mae Whitman, a voz da April no idioma original) e três Daytime Emmy (melhor elenco para série animada, melhor programa infantil de animação e melhor edição de som para animação).

No Brasil, As Tartarugas Ninja é exibido pelo canal Nickelodeon de segunda à sexta às 16h30. Em canal aberto, a Band exibe a série dentro do programa Band Kids, de segunda à sexta às 9h10. Além disso, já está disponível nas lojas o primeiro DVD da animação no Brasil, contendo os seis primeiros episódios e um pôster, O Surgimento das Tartarugas.

Com uma narrativa ágil e inteligente, As Tartarugas Ninja agrada aos fãs mais tradicionais e apresenta o universo dos personagens a um novo público em seu melhor momento desde sua criação nos idos anos 80. Vale a pena acompanhar e torcer para que esta nova versão ultrapasse o recorde de suas antecessoras e que a qualidade do material implique em mais atenção e respeito aos personagens no novo filme que vem por aí, com produção de Michael Bay. As Tartarugas Ninja merecem!

Nota: 4/5

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