As Tartarugas Ninja (2014)

TartarugasNinja2014 (1)Antes mesmo de qualquer informação sobre o mais recente filme das Tartarugas Ninja, a produção já estava sendo execrada em todos os sites especializados em quadrinhos e cinema. A ideia de que os personagens teriam origem alienígena e a produção de Michael “Badabum” Bay gerava pânico nos fãs de longa data dos mais queridos mutantes ninjas da cultura pop. A partir daí as notícias só causavam mais desconfiança.

Além de Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles), talvez o pior diretor em atividade em Hollywood hoje, assumir a direção do filme, juntou-se ao elenco a “atriz” Megan Fox (Jonah Hex, Transformers), que voltava a trabalhar com Bay depois de toda aquela patacoada após Transformers 2. Além disso, o personagem Eric Sacks (Wilian Fichtner, de Elysium) apontava para um vilão ocidental, bem diferente do que os fãs esperavam e as coisas só pioraram quando as primeiras imagens das Tartarugas vazaram na internet.

TartarugasNinja2014 (3)O primeiro trailer acalmou um pouco os ânimos dando uma ideia do tom de humor e ação do filme, mas as expectativas continuavam baixas.

Aqui vale a pena lembrar que apesar de lembrados com muito carinho pelos fãs, nenhuma das adaptações anteriores das histórias das Tartarugas Ninja para às telas de cinema foram realmente excelentes. O primeiro filme tem um tom correto e uma história simples, mas eficiente, porém o que veio depois não parece tão bom assim se deixarmos a memória afetiva de lado. O segundo filme, por exemplo, além de Vanilla Ice, teve sua “violência” reduzida após críticas ao primeiro filme resultando em lutas dignas de Os Trapalhões! Dito isso, podemos dizer que este novo As Tartarugas Ninja não é um filme tão ruim quanto se esperava.

Descarte toda a violência e o clima underground dos quadrinhos originais. O novo filme segue a vertente atual do cinema de super-heróis e procura dar “realismo” a tartarugas mutantes ninjas e adolescentes, além de amarrar todos os personagens em uma história de origem pretensamente coerente. Até aí o mérito não é do roteiro escrito a seis mãos (!!!) por Josh Applebaum, André Nemec (ambos da série de TV Alias) e Evan Daugerthy (Branca de Neve e O Caçador), pois os quadrinhos recentes da IDW trazem uma origem bem diferente dos quadrinhos dos anos oitenta ou das animações clássicas e amarram as histórias de todos os personagens incluindo até o conceito de reencarnação!

TartarugasNinja2014 (4)Liebesman consegue entregar algumas cenas de ação empolgantes e lutas minimamente compreensíveis, algo muito raro no cinema de ação frenética hoje em dia. Os personagens digitais, que causaram um pouco de estranhamento no começo, conseguem convencer e funcionam bem juntos. A dinâmica clássica entre Raphael, Michelângelo, Donatello e Leonardo está presente e é o ponto forte do filme. Todas as suas personalidades estão bem definidas, com exceção de Leonardo que fica um pouco apagado perto de seus irmãos.

O redesign dos personagens exagera um pouco e fica fora de contexto, já que Splinter, muito maior na sua forma original e mais velho, parece não chegar nem perto do poder de seus filhos. Aliás, o único visual realmente funcional e interessante fica por conta do sensei de nossos heróis. Splinter nunca foi tão “rato” nem tão “mestre”. Já o Destruidor (Tohoru Masamune) parece algo saído da lixeira dos desenhistas de produção de Transformers. Um cruzamento entre o Samurai de Prata de Wolverine Imortal e Megatron de Bay.TartarugasNinja2014 (1)

Entre os personagens humanos, April O’neil é de longe a pior. A capacidade limitada de atuação de Megan Fox não sustenta o tempo em tela que April possui neste filme e estraga alguns momentos mais tensos. Já Will Arnett (Arrested Development) está engraçado na medida como Vernon Fenwick, parceiro de April no Canal 6, e suas piadas possuem um timming adequado. Willian Fitchner como Erich Sacks, capanga de Destruidor, é o destaque entre os personagens humanos e funciona bem como segundo vilão, apesar de suas motivações e planos cartunescos demais, e deixa os fãs se perguntando por que não Baxter Stockman?TartarugasNinja2014 (2)

Ao final da projeção fica clara a intenção de cumprir a cartilha dos filmes de ação e super-heróis de hoje em dia e atualizar as Tartarugas Ninja para um público mais jovem, embora o filme soe meio esquizofrênico neste sentido ao tentar ser realista e dramático ao mesmo tempo em que fala direto com as crianças e adolescentes que lotam as salas de cinema 3D com seus combos de pipoca e refrigerante em mãos. O fato é que os fãs dos quadrinhos originais ou da série clássica de animação não é o público que os produtores procuram.

A piada do peido está lá para confirmar isso.

Nota: 2 de 5

 

Termos de pesquisa: