Batman v Superman: A Origem da Justiça

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E chega o grande dia da virada da DC no cinema! Batman v Superman: A Origem da Justiça promete desbancar o trono dos bem sucedidos filmes da Marvel, trazendo os maiores heróis dos quadrinhos em um confronto inimaginável! Mas será que o filme está à altura da tarefa?

Somos apresentados a pequenos flash-backs da origem do Homem-Morcego, em um devaneio que mistura as emoções da perda dos pais e a destruição de Metropolis no conflito de Man of Steel. O governo não confia no Super-Homem e sucessivos eventos e tramoias o colocam como responsável por diversas perdas humanas. Sua incapacidade de lidar (ou diria, se comunicar com os governos?) com as consequências de suas ações o enfraquecem espiritualmente.

De forma crescente (e perturbado por visões), Bruce Wayne se convence que os kriptonianos são a ameaça definitiva e decide confrontar Kal-El. O resultado é o esperado: bastou um olhar do Super (além de arrancar a capota do Batmóvel) para o Morcego entender que, sem preparo, não é páreo para o adversário. E começa sua jornada para o conflito decisivo! Manipulações políticas, espionagem, atentados e kriptonita fecham a conta e iniciam o relógio do juízo final.

O Super-Homem de Henry Cavill continua inócuo e insípido, com pouquíssimas falas para um protagonista de superprodução. Não que seja culpa dele. Ainda que o roteiro não ajude, seu personagem ainda serve apenas como referência visual, algo que Zack Snider é mestre em compor, mas é muito falho em capturar a essência das coisas em profundidade (vide Watchmen).

Mesmo com diversas cenas de ação interessantes, o filme não estabelece um novo patamar no gênero. Nada do que foi mostrado inova ou surpreende. Mais do mesmo, que possivelmente mostra que o filão dos super-herois já está ficando cansativo e precisando se reinventar. O providencial “monstro” ao final é pouco fiel à sua versão da HQ mas para uma ameaça de tamanha magnitude, o resultado do combate deixa a desejar.doomsday

Talvez o filme sofra do mesmo mal que Quarteto Fantástico (2005), que é mais direcionado para crianças, ou da falta de competência da direção, pois muito é mostrado mas pouco contextualizado. Este filme parece maior do que ele deveria ser, e isso provavelmente é seu maior problema.

Zack Snider não é um diretor que entende sutilezas e elegâncias. As referências aos demais heróis (Aquaman, Flash e Ciborgue) são jogadas na cara. A da Mulher-Maravilha, duas vezes! Falta-lhe qualidade e paciência para dar pontos precisos no desenrolar do roteiro.

Ben Affleck, desacreditado por grande parte dos fãs do Morcego, não acrescenta ao já conhecido personagem. Seu Bruce Wayne tem uma postura tão nula que não prejudica o filme, mas também não imputa dramaticidade em momento algum. O apagado Alfred (Jeremy Irons, que parece Robert Downey Jr em uma primeira vista) soa muito mais carismático e interessante nas poucas cenas que aparece.

Lex Luthor é o personagem que mais se sobressai. Criticado pela atuação nos trailers, Jesse Eisenberg constrói seu personagem de modo que ele também constrói uma persona distinta: espontâneo, cheio de trejeitos e brincalhão, tudo é uma fachada para uma mente doentia e ambiciosa em níveis pouco explorados, que são revelados somente nas cenas finais, onde aparecerá careca, como gancho para os potenciais vilões do vindouro filme da Liga.

Embora muitos nerds se digladiaram nas redes sociais com o fútil “quem é melhor, Batman ou Super-Homem”, quem decididamente era aguardada com ansiedade seria a Mulher-Maravilha. Tivemos várias encarnações dos heróis anteriores mas demorou 37 anos para uma nova Diana Prince aparecer. Gal Gadot sabe fazer caras e bocas, e a princesa amazona não precisou disso para mostrar a que veio. No entanto, com poucas falas e menor destaque, sua real estreia fica adiada até seu filme solo, que aparentemente será ambientado na Primeira Guerra Mundial. E sim, ela tem o laço mágico.

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Mesmo com um final “impactante”, não é suficiente para emocionar em profundidade. Ainda que este texto evidencie diversos aspectos negativos, mantém-se na média de produções de entretenimento que não te fazem pedir reembolso do ingresso. Não procure aqui densidade e verossimilhança, filosofia e reflexão. Isto é literalmente a transcrição de uma história em quadrinhos rasa, mas bacana para o cinema.

Nota: 2 de 5.