Era Uma Vez na América

era uma vez na america Publicada originalmente entre 1994 e 1999 em quatorze capítulos, Era Uma Vez Na América finalmente foi lançada como se deve. Completa e com todo o luxo que merece. Esta grande saga Disney concebida por Giorgio Pezzin e Massimo de Vitta mostra alguns dos principais momentos históricos dos EUA do ponto de vista dos antepassados de Mickey, Pateta e outros personagens do núcleo dos ratos de Patópolis.

A partir deste conceito, o leitor de quadrinhos acostumado aos rigores da cronologia dos super-heróis, deve se livrar de todo os pré-conceitos construídos ao longo de décadas de reboots e resets e se municiar de alguma suspensão de descrença para aproveitar a saga em sua totalidade. Afinal, ao longo de toda a saga, iremos nos deparar com sete Mickeys diferentes, Minnies idênticas das mais diversas origens, Patetas dos mais variados tipos e Bafos-de-Onça para todos os gostos.

Isso pode causar certo incomodo ao leitor não acostumado a este tipo de liberdade criativa, que irá ficar tentando linkar todos os personagens e ficar se perguntando como pode os personagens sem a menor ligação genética serem idênticos. Esqueça isso e a diversão é garantida. Tenha sempre em mente que os quadrinhos Disney, ao contrário da Marvel e DC são mais soltos e muitas vezes nem as HQs produzidas na Itália possuem relação com as produzidas nos Estados Unidos, por exemplo.era uma vez na america (4)

E por falar em HQs produzidas na Itália, devo deixar claro aqui que nunca fui muito fã dos quadrinhos italianos da Disney. Há algo nos desenhos mais caricatos e nas tramas muito mais modernizadas do que as americanas, que destoa demais dos quadrinhos Disney que cresci lendo, mas Massimo de Vitta possui um traço tão leve e saboroso que é impossível não admirar a arte deste verdadeiro “Maestro Disney”. Silvia Ziche e Fabrizio Petrossi também ilustram alguns capítulos com competência, mas não alcançam a qualidade do traço de de Vitta.

O roteiro de Giorgio Pezzin consegue divertir e emocionar na medida certa e é bastante cauteloso ao explorar alguns momentos mais sangrentos da história americana. A batalha do Álamo, por exemplo, está ali, e só saberemos das consequências daqueles eventos através dos olhos de um Mickey que lamenta a perda de amigos naquele dia. Tudo isso apenas com uma visita do personagem ao antigo forte para prestar uma homenagem aos amigos perdidos. Uma solução simples era uma vez na america (5)e bonita que consegue contornar um problema que poderia envolver cortes ou censura de maneira primorosa. Pezzin também escolhe encerrar sua saga no início da Era de Ouro do cinema, evitando, por exemplo, a grande depressão ou a Segunda Guerra, e a escolha é acertadíssima, pois posiciona o encadernado imediatamente antes ao surgimento do camundongo mais famoso do mundo. O final é excelente.

Apesar da questionável iniciativa da Editora Abril em lançar três encadernados de valor acessível, porém mais caros do que os demais quadrinhos Disney, de uma vez só, a seleção de histórias continua impecável e Era Uma Vez Na América se tornou minha grande saga Disney preferida depois de A Saga do Tio Patinhas. Com acabamento primoroso e recheado de textos extras, esta coleção de encadernados capa-dura da Disney é imprescindível na coleção de quem aprecia uma boa história em quadrinhos.

Nota: 4 de 5