Rurouni Kenshin: Versão do Autor #01

Rurouni Kenshin: TokuitsubanCom o lançamento da trilogia de filmes Samurai X, seria natural que o autor Nobuhiro Watsuki fosse assediado pelas editoras para retornar ao seu personagem máximo. Adorado pelos fãs, mesmo que decepcionados pelo fim repentino do mangá em seu auge (ainda se fala na potencial saga de Hokkaido), desta vez ele visita o universo de Kenshin Himura ao melhor estilo Túnel do Tempo, alterando drasticamente a linha temporal dos personagens.

Este recurso já foi visto em duas ocasiões não canônicas no mangá original, onde foram publicadas as histórias testes (protótipos até então) com personagens em funções diferentes e situações alternativas.

Em Rurouni Kenshin: Versão do Autor, o andarilho Kenshin, alter ego do mortífero Battousai, o retalhador chega a Tóquio e por mero acaso é arrastado por um diferente Yahiko Myoujin para uma luta estilo Gekkiken Kogyo (lutas de demonstração dos samurais para público leigo, algo até então proibido) contra ninguém menos que Kaoru Kamiya. A mando de um similar Kanryuu Takeda, entra em uma trama onde a jovem é forçada a proteger seu patrimônio através de lutas, mas algo não cheira bem, e Kenshin fica imediatamente desconfiado.

Nesta história, Sanosuke Sagara também é um lutador de aluguel que seria o próximo desafio de Kaoru, mas resolve enfrentar Kenshin pessoalmente para ver qual é a deste andarilho desconhecido. Em seguida, Hajime Saitou, também lacaio de Takeda, aparece e relembra o passado assassino de Himura, mostrando que neste universo, Battousai é uma pessoa um pouco diferente, e fazendo com que a trama seja arrastada para a 2ª edição deste especial.

Rurouni Kenshin: Versão do Autor 3

A segunda parte da impressão seria o “Ato Zero”, uma aventura que ajudou Kenshin a definir parte de sua personalidade, e se passa meses antes do início oficial do mangá. Já no ano 11 da Era Meiji (1878), Himura se envolve com um médico estrangeiro em Yokohama que é ameaçado por cuidar de pessoas gratuitamente.
Conta com auxílio de personagens coadjuvantes sem muito destaque, e um vilão que tinha potencial de ser interessante – um esgrimista espanhol que desejava combater um samurai – mas que numa história rápida é prejudicado e não tem qualquer desenvolvimento.

samurai x: versão do autor

Desta vez, o projeto gráfico é caprichado, no mesmo formato do relançamento da série, de qualidade bem superiora à do pequeno mangá dos anos 2001. Porém, as novas tipografias marcadas nos grandes balões não harmonizam com a arte, destoando do conteúdo, prejudicando visualmente a página.

Honestamente, como grande fã da obra original, sinto enorme decepção pelo que o autor chama de “traço limpo” em suas “free talks” (conversas impressas que ajudam a desvendar grande parte de seu processo criativo e opiniões gerais). Esta modificação que ele alega deixar o desenho mais suave e com menos detalhes apenas infantiliza a aparência dos personagens, empobrecendo a narrativa gráfica e reduzindo o caráter sério e histórico do mangá.

Watsuki tem uma pegada para o humor, tanto que o mangá original é repleto de pequenas gags, mas para um público que envelheceu mais de dez anos parece não funcionar tão bem quanto antes.

O roteiro é leve e padrão, mas é nítido que não tem a qualidade do original. É inferior até mesmo à A Sakabatou de Yahiko (2004), história que faz parte do cânone oficial mas recebeu críticas por ser uma história curta demais, deixando muita expectativa no ar, preenchida pelo último longa, Seisouhen.

Para quem é fã, é um item a se considerar. Se nunca leu nada de Samurai X, não comece por aqui.

Nota: 1,5 de 5